Alegria

Despertou com falta de ar. Estava escuro. O medo que surgiu não vinha da escuridão, mas sim do silêncio ao qual não estava acostumado. Levantou-se da cama e foi até a janela. O ar frio da madrugada entrava pelas frestas. Que delícia. Acalmou-se. Abriu a janela. Em instantes o peito quente tinha esfriado. Lá fora, a única coisa que tinha luz era a lua. Então, abriu outra janela, uma que ninguém via. Para fora dela, havia outra lua. Apagada. Para dentro dela, havia um observador. Sedento. Os sons da madrugada o levaram para longe. E quando foi surpreendido pelos primeiros raios de sol, resolveu deixar as duas janelas abertas.