Decoração

mirror

Pegou o celular, escreveu algumas mensagens e se sentou no sofá. O interfone tocou. Antes de atender, os olhos focaram no vazio, forçando-o a sacudir a cabeça para sair do transe. “Sim, pode subir.” A porta aberta foi fechada depois de um “oi” quente e um “tchau” congelado, de quem se esfriou instantaneamente. Cruzou o espelho do quarto e se assustou: o que ele sabia ter feito com o outro, na verdade, também o atingia. Ele não se via ali. O espelho não mentia, o corpo estava refletido, porém ele se esqueceu que, além disso, as pessoas têm sentimentos, uma parte humana que só se vê quando não se perdeu no caminho da usabilidade.