Degraus

escada

Tenho ficado cada vez mais fraco:
a escada que sobe de onde me acho
está dentro de um buraco
e se subo, eu desço,
me perco no espaço
da reza que canta o terço
e do peso do sonho opaco
Sinto com medo a descida,
cada vez mais lenta
e cada dia mais sofrida,
do sonho que quis viver
e da droga oferecida
pela felicidade mal agradecida
que me fez amar
e que me fez querer
Assim reconheci meu erro:
o meu grotesco desamor
foi desejar o desterro
me enganando com o rancor
Eu receio pela minha vida,
pela entrada que não alcanço,
ela que está distante da subida
e mais ainda do remanso
Se termino um poema,
é porque gosto de contar o tempo:
ele me desespera, não tem pena,
tão forte, engrandece uma dor tão pequena