Domingo

Que estranho… Achei que tinha passado por aqui. Deve ser um déjà vu, deve ser uma ilusão. Não pode ser verdade que eu esteja repetindo meus passos, mas deve fazer sentido, pois mantenho as mesmas pernas e os mesmos pés. Não, o foco é o caminho. Estou repetindo o caminho? Ninguém poderá responder, pois estou caminhando sozinho. Claro, vejo outras pessoas caminhando enquanto sigo em frente (ou para trás), mas cada um com seus problemas, certo? Se paro para perguntar algo, pode ser que pensem que estou perdido, porém, pelos olhares que me lançam, ninguém aqui sabe muito bem o que está fazendo… De qualquer forma, é estranho, tudo parece repetido, sem novidades, sem verdades. Já sei, vou parar de andar e esperar. Isso ninguém está fazendo… Não, vejo alguém ali, deitado. Sim, está deitado e de olhos abertos. Estou me aproximando. “Não”. Ele me disse “não”. Deixa pra lá, melhor seguir caminhando, ele parecia bastante fragilizado. Quem poderá levantá-lo? Melhor eu me garantir, treinar minhas pernas, deixá-las o mais forte possível, assim fica mais difícil de cair. Eu sei, não é só pelas pernas que se pode cair, a cabeça tem que estar forte também. Para isso, preciso parar, respirar fundo e me lembrar: a realidade é meu único caminho para fora dela. Continuo caminhando.