É poesia

Levou o copo até a boca. Apesar do líquido, engoliu a seco. Doeu. Não saciou a sede e continuou suando. Respirava pela boca, forçando a garganta e deixando-a mais ferida. Tentou mais um gole. Um pouco do líquido escorreu pelos cantos da boca, molhando a gola da camiseta. Por que o líquido não queria curar? Por que se recusava a ser engolido e incorporado? Por que só conseguia machucar? Encheu a boca com o restante. Engoliu com pequenas bolhas de ar. Voltou até a fonte e encheu o copo enquanto chorava. Era poesia.