Gênesis

Em um dia sem motivos, a introspecção divina criou a vida humana. Em um dia nebuloso, o medo da divindade criou a esperança e ela a ensinou aos humanos. No dia seguinte, a inutilidade da criação acendeu a dúvida na divindade. Então, ela perceber que deveria se conectar a eles, por isso inventou o amor. Nos humanos, porém, o amor se desenvolveu com a carência e eles criaram a destruição. Aos poucos, a divindade se afastou, assustada com o poder deles. Sentindo-se abandonados, os humanos centraram-se em si mesmos, dando origem ao egoísmo. O tempo passou e os seres humanos cansaram de destruir apenas o que os rodeava. Foi aí que surgiu a autodestruição: um ato de rebeldia contra a criação divina que eram e que não pediram para ser. Tudo o que faziam era destrutivo: o sexo, a alimentação, a diversão, o amor, o estudo, o Carnaval, a religião, o medo. Ao mesmo tempo, acreditavam que com a autodestruição alcançariam um bem maior, enganando-se. A divindade, do alto de seu vazio cósmico, jurou nunca mais repetir o erro: amar.