Minha experiência como autor independente – parte III: o que escrever*

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Sem rodeios, da maneira que vejo, há duas possibilidades: escrever o que você desejar ou o que o mercado editorial quer. As duas podem confluir, mas isso é raro.

Nesse sentido, vejo tanto autor independente na internet e tanta gente que escreve, mas não expõe seus textos de alguma forma, que chego a pensar que existem mais pessoas escrevendo o que desejam, do que o que o mercado quer.

De qualquer forma, basicamente, estamos falando de inspiração, que é uma espécie de estímulo, segundo entendo. E não importa de onde vem (de uma experiência pessoal ou de um contrato editorial), desde que você produza, certo? Bom, eu acho errado… Claro, o exercício constante aprimora o trabalho, mas apenas produzir é perigoso para a inspiração, ainda que ela seja excitada sob demanda.

O que quero dizer é que acredito na existência de uma lógica cerebral que precisa ser respeitada, ou seja, não pode ser pressionada.

Um bom exemplo é o trabalho de publicitário. O pouco tempo que gastei nele me vez perceber que o cérebro cansado, estressado e pressionado não produz. Ok, mentira, produz, mas com baixíssima qualidade. Calma, não é um julgamento capitalista de mesa de concurso ou de chefe engomadinho, pois compreendo que, naquele momento, você deu o seu melhor e essa ideia de que sempre é possível fazer mais não é saudável.

Falo da qualidade pessoal, aquela que nos faz identificar algo nosso quando vemos o resultado. No caso da publicidade, tem a ver com um produto, porém, quando se fala de um conto ou de um poema, o autor realiza algo de melhor qualidade quando se vê na obra de alguma forma.

Pelo menos comigo é assim que funciona. Por isso, a inspiração é algo pessoal para mim; é de algo vivido que retiro o que escrever. Os poucos poemas que fiz por demanda têm rimas bonitas, ficaram sonoramente agradáveis, mas não representam meu trabalho, segundo minha ótica de qualidade. Primeiro porque os compus de acordo com um tema que me pediram e, depois, porque esses textos tinham uma finalidade diferente daqueles que escrevo segundo minha vontade.

Sendo assim, apesar de acreditar na possibilidade de escrever por demanda, aquilo que é pessoal me faz mais sentido, o que não significa que não crie um eu lírico ou uma nova realidade para todos os meus textos, afinal, não publico meus diários pessoais.

Para exemplificar melhor, indico meus livros Um poema para cada dia em que não te vi e Cinza São Paulo. Além disso, no meu Instagram, você encontra mais textos.

*Artigo publicado originalmente no LinkedIn.