Maior Que Eu.

Estou sozinho em casa. Mais uma vez. Penso a manhã toda se devo sair e ir em um encontro com uma amiga pela noite. Seria bom ver pessoas, sair de casa e respirar um pouco de poluição, mas depois estarei sozinho no ônibus, voltarei para casa, sozinho. E de noite é pior… Nesse momento os fantasmas voltarão. As costas doerão, cruzarei os braços e abaixarei a cabeça. A música triste que tocará bem dentro dos meus ouvidos me levará ainda mais pra baixo, mas eu gosto. Não é confortável, pelo contrário. Não é o mais fácil, odeio quando dizem isso. O que sinto é muito maior que eu, maior que qualquer conforto que alguém possa me oferecer. Buscarei, chegando em casa, paz onde não há. Buscarei, chegando em casa, alguém pra abraçar. Mas hoje estou sozinho em casa. Minha casa, que não é minha casa, é onde estão os remédios pra dor de cabeça. Farei um chá, tomarei um remédio. Não, hoje tomarei dois remédios, pois estou sozinho. Um pra dor de cabeça e um pra dormir. Sozinho, perco o sono. Perco a fome. Perco a vontade. Perco a vontade. Verei tv, mas não quero ver tv. Ouvirei música, toca Alanis, “how long will this take, Baba?”. Desistirei, melhor ler. Caio Fernando Abreu me deprime. Melhor deitar e esperar o remédio fazer efeito. Quando estou sozinho, deixo a janela um pouco aberta pra acordar antes do despertador que grita comigo, me assusta. Quero acordar sem esses berros, pra ver se minha mente se acalma. Virarei, revirarei, dormirei. Despertarei, desesperado, como sempre. Não é culpa do despertador então… De quem é a culpa?