Morte súbita

Quando terminou de atravessar a rua, o coração parou de bater. Não literalmente, figurativamente. Mas ela sentiu. E doeu, porque levou as mãos até o peito e parou de andar por alguns segundos. Só por alguns segundos, pois tinha que voltar para o trabalho e males figurativos não são contemplados pelo convênio médico que tinha. Na empresa, colocou os fones para ouvir aquela música que sempre a fazia chorar. Não chorou. Pensou naquela pessoa que se foi e deixou saudades. Não se emocionou. Lembrou-se da infância e do trauma que a perseguia. Não reagiu. Beliscou o braço e não sentiu nada. Estava morta.