Nada será como antes…

As notícias que me dão não são boas. Os amigos isolados, a família com medo, a vida limitada, a morte como horizonte. A incerteza está livre, caminhando pelas ruas. Ela nos saúda com malícia nos olhos e vontade nos lábios, porque sabe que se alimentará dos nossos sentimentos e, muitas vezes, da nossa carne.

O governo não existe e nos resta pouco do muito que pagamos. Há previsões espirituais, há motivações sentimentais e até situações racionais. E nada alcança a verdade, pois ela, mesmo no limite da vida, é velada por quem detém o poder sobre nós.

Em quem devemos confiar, o que acontecerá, de onde virá ajuda? A incerteza se fortalece, pois prova de nós o sabor da derrota diária, ainda que criemos redes de comunicação – uma fresta na máscara metafórica que nos sufoca.

O depois virá, e nada será como antes, certo? Não sabemos exatamente o que será diferente, mas algo deverá mudar. Em alguns de nós, a mudança virá da morte. Nada pode ser mais transformador… talvez o amor.

Nada será como antes amanhã e, depois de amanhã, novamente, tudo mudará, até que não percebamos mais o que está mudando. Então, parece que temos uma escolha: transformar conscientemente como amamos e nos expressamos, as coisas que queremos e nosso estilo de vida, pois se não houver mudança, restará uma certeza tão negativa quanto a incerteza que vivemos agora: a certeza de que não aprendemos nada.