O baú

O baú não tinha fechadura. Ajoelhou-se na frente dele e abriu-o com as pontas dos dedos. Olhou dentro do baú e encarou uma densa escuridão. Colocou o braço direito dentro, para analisar o que havia ali, porém, não atingiu o fundo. Confuso, tentou levantar o baú, mas o peso dele não permitia a ação. Adentrou o baú com o braço esquerdo e tocou um objeto.  Era um livro. Puxou-o para fora. Era pesado, ainda que fosse extremamente fino. Tinha capa cinza. Pousou-o no chão. Não abra. Aquilo era uma ordem ou o nome do livro? Passou os dedos pelas palavras escritas em branco e percebeu que, na verdade, faziam parte de uma intervenção em papel colado na capa. Puxou com cuidado e revelou um outro título. Passado. Quem colou aquele aviso? Deveria abrir o Passado? Passado de quem? Como aquele baú havia chegado ali? A quem pertencia? Abriu o livro na última página, seguindo a lógica do tempo, pois ela seria o passado mais próximo. Leu. O baú se fechou sozinho. Tentou abri-lo de todas as maneiras. Não conseguiu. Restou-lhe o Passado nas mãos.