O sangue que corre

Sentou-se no meio-fio do que era, colocou os pés na alma asfaltada e quente, e olhou para o poste que segurava os cabos da energia que não tinha. Havia linhas de pipa e um sapato velho presos aos fios que carregavam ansiedade e inconformidade até as casas que não visitava na própria mente. Voltou a cabeça para o peito, pois sentiu um calor diferente do suor que molhava as costas que deu para o futuro. O sangue pulsava para fora compulsivamente, mas nenhuma das centenas de pessoas que caminhavam pela calçada que era o coração dele parou para ajudá-lo. Na verdade, era cada passo desses estranhos que o transformava em cimento sujo. O sangue corria pelo meio-fio, levando a sujeira da rua com ele para o bueiro que era o medo do passado. Quando estancou naturalmente, depois de algumas horas, não conseguiu se mover. Agora, seria um eterno sinal fechado.