Olhe para o céu

cloud

Ainda que eu levantasse as mãos para o céu,
não poderia alcançar as nuvens,
tão altas, impossíveis,
elas se desfazem diante do meu desejo;
são como sonhos alados
que voam tão logo reconheço suas formas;
dou nomes a elas,
sorrio para mostrar que estou feliz
e que, apesar de não tocar a maciez líquida,
atinjo todas com minha visão;
são anseios furtivos que choverão no fim da tarde,
anunciando o novo ciclo,
me direcionando para o horizonte,
reconhecendo em si mesmas o valor
daquilo que é vívido e passageiro
como a vida, a estação
eu e o tempo,
inalcançáveis, todos nós,
mas visíveis para quem presta atenção.