Poema do medo

O medo que eu tenho
É permear a mentira
Do bom dia
É responder
“Tudo bem”
Sem estar
Conhecer alguém
E me decepcionar
Mais de uma vez
Dizer que quero comer
Sem ter fome
E dar a mão
A quem não dou razão
E abraçar
Quem não merece calor humano
Ou suor
O meu medo
É continuarmos
E por continuarmos
Deixarmos passar o que somos
Por não ter parado para olhar
O que fomos
É dizer
“Como vai?”
Sem querer saber
É não ser verdadeiro
Intenso
E ingênuo
Meu medo
Acima de tudo
É nunca chegar
Porque perdemos muito tempo
Decidindo quem tem direito de partir
Sem ter considerado
A opção de fugir
E temo que a dor que tenho
Não seja como esse poema
E não tenha fim