Rebele-se

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Para realizar um sonho, é necessário conhecer seus limites. Então, responda: o que você quer? Agora, pense se está disposto a percorrer os finitos (e ainda assim inúmeros) caminhos que existem para chegar nesse objetivo. Quer fazer um intercâmbio? Provavelmente, terá que dedicar-se a horas de estudo, ficar sem dormir e, depois, caso consiga a bolsa, suportar a ausência das pessoas que ama.

Além disso, é fundamental que se reconheça o poder da sociedade na construção dos nossos desejos. Então, responda: o que você quer tem origem onde? Claro, saber exatamente como se constroem nossas vontades parece um trabalho filosófico muito profundo, difícil e, talvez, até impossível. Porém, o questionamento ajuda a descobrir se vale a pena seguir em frente, pois faz perceber que, muitas vezes, os grandes sonhos cultivados são embutidos em nossas mentes por parentes, religiões, políticos, professores…

Pode parecer que estas linhas pretendam desmotivar pessoas a não se dedicarem a seus sonhos, mas na verdade se quer mostrar que, se você não está disposto a abrir mão de algo ou se modificar para alcançar um objetivo que, possivelmente, pode nem ser algo digno da sua personalidade, é melhor não se lançar ao desafio. Isso porque a dor do processo e a quase certeza de que não o alcançará – o capitalismo não cultiva oportunidades iguais para todos – pode ser impossível de suportar.

Para entender esse pensamento, é importante considerar que a síndrome de grandeza, sustentada por uma individualização celebrada nas redes sociais, ajuda a criar pessoas com objetivos que nada têm a ver com elas, o que promove a insatisfação desproporcional que existe na sociedade atual, bem como a falta de conexão real entre todos.

O filósofo Byung-Chul Han (2017) classifica o sujeito narcísico como alguém que não sabe estabelecer seus limites, cobra-se exageradamente e, por isso, entra em depressão, pois está tão focado em si mesmo, que o mundo se torna um desafio que ele precisa vencer, posto que o sucesso é a única coisa que importa, afinal, é como o outro o reconhecerá.

Nesse sentido, é possível que este texto tenha, em certa medida, uma dose de pessimismo necessária para que a realidade seja aceita e renegociada, mas acima de tudo, tenta proteger pessoas de erros criados para fazê-las se odiar e continuar buscando a solução no consumo desmedido de sonhos vazios e distrativos.