Reflexões: sobre a alma e o corpo (parte II)

A carne não se repete, a alma, sim (dizem). Talvez seja aí que mora o problema. A renovação unilateral. A desimportância dada a este e a superimportância dada àquele. O corpo e a alma são como irmãos, mas ela é mais valorizada pelos pais. Que pais? O corpo tem tempo limitado para se curar de uma ferida, quando se cura… E a alma? Quantas chances uma alma tem para sarar uma ferida? Quanto tempo um corpo tem para aprender uma lição? Ele é só um veículo? A alma é a motorista? Então, se for assim, a alma condena o corpo, se quiser? O corpo é objeto da alma? É por isso, talvez, que tenhamos uma estética tão inalcançável quando se trata do físico. Mas também, se nos basearmos nas religiões e filosofias, temos um modelo de alma perfeito, afinal, estamos sempre falando de ética e moral. Quanta exigência… Não é à toa que o corpo não suporte tanto tempo. É impressionante, por outro lado, que a alma sobreviva, como dizem, tanto tempo e que queira fazer parte de um corpo uma e mais outra vez. Ao mesmo tempo em que o corpo é objeto da alma, ela precisa estar nele para comandá-lo, à distância isso não é possível. O corpo é o experimento da alma? Se for, para que ela o está experimentando? Existe um objetivo físico-espiritual? Há uma conjunção final? Um par perfeito? Por si só, eles são yin e yang. Mas quem sabe mais: quem comanda ou quem é necessário para aquele que precisa de algo para comandar? O corpo é altruísta? A alma é egoísta? Pobre do corpo, usado. Pobre da alma, gananciosa. Se os dois um dia acabarem, creio, seria um problema a menos. 

*Reflexões pretende capturar o momentâneo. É um texto que questiona, mas não propõe resoluções. É um pedido de ajuda, quer entender o que existe.