Reflexões: sobre o destino

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Aonde devo chegar? O meu destino envolve outros? Não é possível que eu só dependa de mim. Deve haver uma conexão com a história dos meus pais, dos meus irmãos, dos meus amantes, dos meus amigos, dos meus inimigos, de pessoas que mal conheço. Deve existir, de alguma forma, uma relação entre o que eu quero e o que as pessoas podem oferecer. Isso tem a ver com o lugar onde quero chegar, ainda que não saiba defini-lo. Não chegar, seria trair minha essência, mas supõe-se que, independente de onde seja, eu chegarei. Basta chegar para estar, entende? Não é muito sobre o onde, mas sobre o quando. Chegando, chegou-se. Isso é o que dizem. Talvez essa indefinição, esse medo de estipular uma linha de chegada exista pela ignorância humana em relação ao futuro. Isso porque, por mais que se planeje e se tenha um pouco de controle sobre ele, é indiscutível que – talvez por estarmos conectados – as coisas desandem e os planos sejam modificados. Você pode traçar o plano mais completo, porém ele não é à prova de erros. Eles são causados pela complexa rede de fios que ligam múltiplos destinos que existem: o meu, o seu, o do seu amigo… Fazer isso dar certo para todos, imagino, é um trabalho divino, ou seja, impossível. Deus é impossível. Por que, afinal, haveria de existir um governo soberano de poderes infinitos e indescritíveis que influencia pouco em nossa vida, considerando que somos nós que temos o livre arbítrio? Não, não é possível que isso seja a verdade. Seria tudo frágil demais. Tudo dependente demais. Aonde você deve chegar? Deve ou quer? Devemos ou queremos? Qual é a importância de chegar? Não podemos apenas ir? Há quem diga que isso é uma questão de perspectiva. Tem muita gente que considera estar indo, mas sem destino, apenas caminhando, dando importância ao percurso e não ao ponto de chegada, pois é o caminho que te prepara, dizem, para reconhecer o fim. Isso, me parece, nutre as pessoas de coragem, pois a preocupação com o futuro diminui e é mais fácil decidir. Entendo que essas pessoas definem a coragem como uma crença no presente. Não sei. O infindável poço das coisas que não entendo, me impede de seguir adiante com essa reflexão que nada mais é que uma tentativa de me desafiar: você vai ficar ou vai partir?