Reflexões: Sobre o Trabalho.

O trabalho não é justo nem quando pagam por ele. Dizem que a palavra “salário” vem de “sal”, usado antigamente como moeda de troca. É estranho pensar que damos a alguém o direito de controlar nosso tempo e nossas ações por um pedaço de papel – hoje, na verdade, por algo virtual que, muitas vezes, nem tocamos. A troca nunca foi justa. Pelo menos não quando decidiram ocupar todo nosso dia, nosso tempo hábil, nossa juventude. Não quando nos descartam ao ficarmos velhos, lentos, cheio de doenças. O mundo vive essa falsa filosofia de que o trabalho dignifica o homem, quando a verdade é que ele rouba de nós o que temos de mais precioso: o tempo. Não podemos amar, pois estamos preenchendo uma tabela de Excel; não podemos comer com calma, pois precisamos voltar em uma hora para continuar a ler um processo jurídico; não podemos dormir tranquilos, pois o despertador é voraz e desperta agredindo nosso cérebro. Que dignidade há nisso? Que dignidade há na lógica capitalista de que devemos trabalhar e acumular dinheiro? Temos medo de mudar? Fingimos que não vemos onde está o problema? Quando uma pessoa decidiu por todas que devemos salgar nosso tempo para que nele nada floresça?

*Reflexões pretende capturar o momentâneo. É um texto que questiona, mas não propõe resoluções. É um pedido de ajuda, quer entender o que existe.