Reflexões: Sobre Términos de Relacionamentos.

Tenho conversado com muitas pessoas sobre términos de relacionamentos. Ouvi, de pessoas diferentes, os mesmos clichês: “um dia você esquece”; “você tem que ficar bem consigo mesmo”; “não preencha o vazio com as pessoas”; “existe muita gente no mundo pra você conhecer”; entre outros.

Todas essas frases, é claro, possuem suas verdades, mas elas incomodam. Esse incômodo, ao meu ver, se origina na equiparação, no ato de se perceber mais um. Pense bem, os clichês existem não é à toa… Eles cabem nas situações, porque elas, de fato, se repetem, e as reações humanas a elas também. E isso é ruim para quem se acha diferente, único e especial. Claro, é algo muito confuso, pois o outro clichê que ouvimos constantemente é que somos diferentes, únicos e especiais… Por outro lado, pode ser que alguém supere um término justamente porque se percebe igual e isso seja uma motivação, mas nem sempre é assim.

Parei para pensar e percebi que, desde o início de nossas vidas, precisamos do “outro”: um esperma e um óvulo precisam se encontrar para nascermos; precisamos de nove meses para nos desenvolver na barriga de nossas mães; elas precisam fazer força para sairmos; elas nos alimentam; alguém tem que segurar nossas mãos para aprendermos a andar; precisamos que alguém nos ensine a comer, a falar, a escrever. Resumindo: nos desenvolvemos com a ajuda do próximo, gostando disso ou não.

Então, de certa forma, existe um preenchimento inevitável desse ou aquele vazio, a questão é que, quando falamos de relacionamentos, me parece que entendemos erroneamente o que é preenchido. Talvez o vazio que queremos realmente preencher com um relacionamento seja impreenchível. Talvez um namoro seja mais uma fase de aprendizado pela qual passamos.

O que atrapalha nossa percepção disso, penso, é que o sexo está envolvido. Além da sensação de que somos compreendidos, de que alguém nos ama, o sexo adiciona um sentimento de completude física que é perigoso. Não é sem motivo, acredito, que sempre ouço o clichê “sexo com sentimento é muito melhor”. Pode ser que a pessoa que você ama nem faça nada de diferente durante o ato, mas apenas o fato de sentir reciprocidade do amor que emite, faz com que tudo seja “mágico”.

Percebi que o relacionamento amoroso tem o poder de ir completando as coisas que estão vazias. Isso, acredito, envolve nosso medo de nos responsabilizar por nossas vidas, por uma romantização midiática do que é uma relação, por um vazio existencial inexplicável que não necessariamente precisa ser resolvido e por uma fraqueza natural do ser humano de não se desligar do sensorial.

O aprendizado que os relacionamentos amorosos entregam, me parece, é esse: nem tudo precisa ser preenchido. Pensamos que quando estamos com alguém ao nosso lado, o fazemos porque suprimos necessidades das mais diversas, mas agora vejo diferente. Quando estamos em um relacionamento amoroso, vivemos um processo de aprendizado que envolve entender que existem coisas sem resolução, e esse processo só acaba, o conhecimento disso só vem, quando o término acontece. Vai machucar. Vai chorar. Vai sofrer. Mas o choque precisa acontecer.

*Reflexões pretende capturar o momentâneo. É um texto que questiona, mas não propõe resoluções. É um pedido de ajuda, quer entender o que existe.