Resenha: Felicidade clandestina (Clarice Lispector)

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Clarice consegue transformar o cotidiano em algo extremamente poético, mas em um sentido absurdo da palavra e não apenas bonito, isso porque ela explora o que compõe um ser humano, ou o que estrutura os sentimentos humanos.

Eu, eu queria tudo. E nós ali presos, como se nosso trem tivesse descarrilado e fôssemos obrigados a pousar entre estranhos. Ninguém ali me queria, eu não queria a ninguém.

As personagens são complexas e únicas, parecem ser escritas à mão pela autora enquanto se lê. Em alguns momentos, porém, senti que havia divagações muito cansativas, o que alongava as histórias.

Amor é quando é concedido participar um pouco mais.

Poucos querem o amor, porque amor é a grande desilusão de tudo o mais. E poucos suportam perder todas as outras ilusões.

Há os que se voluntariam para o amor, pensando que o amor enriquecerá a vida pessoal. É o contrário: amor é finalmente

a pobreza. Amor é não ter.

De qualquer forma, todas as crônicas se encaixam perfeitamente no espectro clandestino com que a autora trabalha as emoções.