Sinal fechado

O tamanho dos prédios o lembrava de que tudo na vida poderia desmoronar, outra vez, como aconteceu alguns meses atrás. Por isso, evitava a grande avenida. Não queria sentir a claustrofobia dos gigantes arranha-céus, nem ter a sensação de infinito que o horizonte de concreto dava. O exagero era o problema. Porém, mesmo nas coisas mais simples e pequenas, buscar o caminho do meio, o equilíbrio, era difícil. Ou na realidade, ele não era simples e pequeno como pensava. Dentro de si, havia, provavelmente, prédios tão altos quanto os da avenida, e havia avenidas tão infinitas quanto aquela em que ele evitava pisar. Saberia? Era provável que sim, mas o que é a certeza senão um equívoco convencido? O sinal abriu e o ônibus andou, deixando a grande avenida para trás.